sábado, 5 de março de 2016

Caixa de Feldman



Caixa de Feldman

Description: http://pt.shvoong.com/images/spacer.gif?s=summarizer&d=1340197237244&id=273206cf-974b-4c4a-9b0e-9e13b6659030
 A caixa de Feldman ou bateria de classificação de objetos, é um teste criado por Jacobo Feldman. A intenção original deste teste foi avaliar a linguagem e o pensamento operatório da criança, através de observação meticulosa do tipo de classificação que ela faz de 50 objetos, criteriosamente selecionados quanto a três aspectos: as suas estruturas perceptivas (semelhantes, mas não idênticas), as suas funções e as identidades (pares idênticos). Nesta proposta, Feldman fundamenta-se na teoria de Piaget da aquisição, pela criança, das formas e de pensamento, relacionando a psicogenética, com as etapas da construção e aquisição da linguagem propostas por Quirós e Schrager. Como este material tem, entre os seus objetivos, avaliar a capacidade expressiva da linguagem verbal, ele foi muito utilizado em problemas de aprendizagem especificamente ligados a linguagem e a comunicação. Na psicopedagogia a utilização da caixa de Feldman está mais ligada à observação de como a criança comporta-se diante do material. Como a criança faz o inventário do conteúdo da caixa, como ela organiza esses materiais e como ela sintetiza a sua resposta. Essa observação cuidadosa, nos apontará para a etapa do pensamento operatório em que ela se encontra. Um olhar psicopedagógico sobre a ação da criança no objeto, um olhar para como o seu corpo se comporta, para seus movimentos, para os seus olhos, para a sua expectativa, possibilita a observação e o aparecimento de características importantes relativas ao comportamento, ao ritmo e ao emocional dessa criança.

Descrição do material:
O material é composto de 50 objetos. 31 seres vivos e 19 seres inanimados.

Os seres vivos são: 10 vegetais, 6 seres humanos e 15 animais. Os vegetais são: 3 árvores três plantas e 4 flores, sendo duas delas idênticas. Os seres humanos são: 2 adultos e 4 bebês. Os animais são: 9 quadrúpedes, 3 aves e três peixes. Os quadrúpedes são: 4 cavalos, sendo dois idênticos, 2 cachorros, 1vaca, 1 ovelha e 1 porco. Os seres inanimados são:10 meios de transporte, e 9 utensílios de cozinha. Os meios de transportes são: 4 veículos de rodas, 3 barcos e 3 aviões. Os veículos de rodas são: 3 automóveis, sendo dois idênticos e 1caminhão. Os utensílios são: 2copos, sendo 2 idênticos, 1 panela, 1 prato, 1 garfo, 1 faca, 1 colher, 1 garrafa e 1 mamadeira Jacob Feldman apresenta o material através de uma tabela que se encontra no anexo... que facilita a visão classificatória e hierárquica contida nesta bateria de classificação de objetos. Consigna Vou mostrar a você uma caixa com objetos e vou pedir que faça grupos com eles. Aqui tem folhas em branco para você colocar os objetos em cima. Em cada folha deve ter objetos da mesma classe. Você escolhe quantas folhas vai utilizar. Eu trouxe um exemplo: Aqui tenho uma caixinha com materiais escolares e objetos de higiene. Eu vou organizar estes objetos em dois grupos, cada grupo em cima de uma folha. Agora abra a caixa e organize os objetos que estão aí dentro. Heloisa ribeiro

Transtornos de aprendizagem:

Palestra na IAB


Muito se fala sobre  prevenção ao uso de drogas, e pouco se tem feito.  É importante prestarmos mais atenção no que diz respeito aos nossos jovens. Na minha experiência em Abrigos Especializados, pude constatar que o amparo familiar faz a diferença. Os casos de maior sucesso, na reinserção social, são aqueles em que a família abraça a causa, e junto com toda uma equipe multidisciplinar, trabalha por aquele jovem.  E a velha máxima se faz sempre presente: "Melhor do que ter para onde ir, é saber que tem para onde voltar!" 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Compartilhando informações!!

A LEBRE, A TARTARUGA E A NEUROCIÊNCIA
Ana Lúcia Hennemann
Uma das fábulas que merece destaque na literatura infantil é “A lebre e a tartaruga”.
Conta a história que a lebre considerada rápida como o vento, devido a agilidade de suas pernas, ridicularizou a tartaruga pois a mesma tem pernas curtas e caminha vagarosamente. No entanto, a tartaruga propôs um desafio para comprovar a veracidade das palavras proferidas pela lebre: - Que tal uma corrida?
A lebre topou o desafio na hora, pois estava convicta de suas habilidades e nem conseguia perceber nada de relevante nas habilidades da oponente.
No dia combinado, as duas concorrentes apresentaram-se para tal evento. A lebre toda confiante de sua vitória corria alguns percursos e em alguns momentos parava para descansar. No entanto, a não tão habilidosa tartaruga prosseguia de modo contínuo, devagar, mas mostrando persistência e foco no seu objetivo. (A história verdadeira não conta, mas a tartaruga tinha conhecimento que a prática constante leva a perfeição, pois é, ela passou vários dias praticando e aperfeiçoando-se!!!)
E como todos bem sabem, no final a tartaruga tornou-se a vitoriosa da corrida.
Fim!!!
A história nos arremete a muitas metáforas engajadas no esforço pessoal, entretanto numa abordagem da neurociência ela nos faz refletir sobre a questão de dons e construção de habilidades. Quem nos diz que temos ou não habilidades para determinadas atividades?
Existem pessoas sim que tem habilidades extraordinárias, que nasceram para tal coisa, como se diz popularmente: - O cara nasceu para isso!!! Ele tem o dom!!! Mas, a neurociência tem nos mostrado que quanto mais praticamos determinados atos mais habilidosos nos tornamos naquele contexto, talvez não conseguimos chegar a um estado de excelência, mas certamente pode-se chegar a patamares muito elevados.
Aprender significa modificar comportamentos, sejam eles motores, emocionais ou cognitivos. Quanto maior o empenho destinado a aprendizagem de determinada habilidade, mais especialista nos tornamos. Conforme Herculano - Houzel: “a princípio qualquer pessoa pode se tornar excelente naquilo que faz, desde que se dedique, apresente uma motivação constante e muito treino.”
Portanto, se você conhece alguém que seja muito habilidoso em determinado contexto, saiba que determinação, foco e treino constante podem ser a base de tudo que você precisa construir as mesmas habilidades de tal pessoa. Pois, nosso cérebro é plástico, moldável e muda de forma segundo as áreas que mais utilizamos, conforme a atividade mental.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Feliz 2013!


Para minhas amigos PSICOPEDAGOGOS, companheiros de formação, profissão e ideologia, desejo um 2013 radiante, de grandes conquistas e vitórias, de grandes reconhecimentos e de muita união!! Hoje nesse primeiro dia do ano, me emociono ao lembrar do ano que passou, e que conheci tanta gente maravilhosa que tem a psicopedagogia como sonho e realidade de vida!! Amo fazer parte desse Universo!!! E que venha o novo ano!!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Crescer e aprender!




Quando será que realmente paramos de crescer, em todo o sentido literal da palavra?  E em seu sentido mais poético, quando será?  Confesso que cada vez que me deparo com situações de aprendizado, sejam elas quais forem  sou levada a pensar que crescer tem um sentido muito mais amplo.  Tem o seu sentido infinito sim, de acompanhamento de vida.  Sentido esse que é preciso mais que um banco acadêmico para decifrar, quando nos referimos a quem, como eu, tem sede de aprender.  
É preciso muita sensibilidade para exercer a função de educador e só quem percebe o ser humano com um ser de aprendizado constante consegue aprender junto com ele.  Só quem trabalha com a alma tem como ver além do óbvio.  

Mil bjs, 

TT.


"Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende"  

                                                                                                                                        Leonardo da Vinci 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Discalculia




por Simaia Sampaio



A matemática para algumas crianças ainda é um bicho de sete cabeças. Muitos não compreendem os problemas que a professora passa no quadro e ficam muito tempo tentando entender se é para somar, diminuir ou multiplicar; não sabem nem o que o problema está pedindo. Alguns, em particular, não entendem os sinais, muito menos as expressões. Contas? Só nos dedos e olhe lá.
Em muitos casos o problema não está na criança, mas no professor que elabora problemas com enunciados inadequados para a idade cognitiva da criança.
Carraher afirma que:

“Vários estudos sobre o desenvolvimento da criança mostram que termos quantitativos como “mais”, “menos”, maior”, “menor” etc. são adquiridos gradativamente e, de início, são utilizados apenas no sentido absoluto de “o que tem mais”, “o que é maior” e não no sentido relativo de “ ter mais que” ou “ser maior que”. A compreensão dessas expressões como indicando uma relação ou uma comparação entre duas coisas parece depender da aquisição da capacidade de usar da lógica que é adquirida no estágio das operações concretas”...”O problema passa então a ser algo sem sentido e a solução, ao invés de ser procurada através do uso da lógica, torna-se uma questão de adivinhação” (2002, p. 72).


No entanto, em outros casos a dificuldade pode ser realmente da criança e trata-se de um distúrbio e não de preguiça como pensam muitos pais e professores desinformados.
Em geral, a dificuldade em aprender matemática pode ter várias causas.
De acordo com Johnson e Myklebust, terapeutas de crianças com desordens e fracassos em aritmética, existem alguns distúrbios que poderiam interferir nesta aprendizagem:

  • Distúrbios de memória auditiva:
- A criança não consegue ouvir os enunciados que lhes são passados oralmente, sendo assim, não conseguem guardar os fatos, isto lhe incapacitaria para resolver os problemas matemáticos.
- Problemas de reorganização auditiva: a criança reconhece o número quando ouve, mas tem dificuldade de lembrar do número com rapidez.

  • Distúrbios de leitura:
- Os dislexos e outras crianças com distúrbios de leitura apresentam dificuldade em ler o enunciado do problema, mas podem fazer cálculos quando o problema é lido em voz alta. É bom lembrar que os dislexos podem ser excelentes matemáticos, tendo habilidade de visualização em três dimensões, que as ajudam a assimilar conceitos, podendo resolver cálculos mentalmente mesmo sem decompor o cálculo. Podem apresentar dificuldade na leitura do problema, mas não na interpretação.
- Distúrbios de percepção visual: a criança pode trocar 6 por 9, ou 3 por 8 ou 2 por 5 por exemplo. Por não conseguirem se lembrar da aparência elas têm dificuldade em realizar cálculos.

  • Distúrbios de escrita:
- Crianças com disgrafia têm dificuldade de escrever letras e números.

Estes problemas dificultam a aprendizagem da matemática, mas a discalculia impede a criança de compreender os processos matemáticos.
A discalculia é um dos transtornos de aprendizagem que causa a dificuldade na matemática. Este transtorno não é causado por deficiência mental, nem por déficits visuais ou auditivos, nem por má escolarização, por isso é importante não confundir a discalculia com os fatores citados acima.
O portador de discalculia comete erros diversos na solução de problemas verbais, nas habilidades de contagem, nas habilidades computacionais, na compreensão dos números.
Kocs (apud García, 1998) classificou a discalculia em seis subtipos, podendo ocorrer em combinações diferentes e com outros transtornos:
  1. Discalculia Verbal - dificuldade para nomear as quantidades matemáticas, os números, os termos, os símbolos e as relações.
  2. Discalculia Practognóstica - dificuldade para enumerar, comparar e manipular objetos reais ou em imagens matematicamente.
  3. Discalculia Léxica - Dificuldades na leitura de símbolos matemáticos.
  4. Discalculia Gráfica - Dificuldades na escrita de símbolos matemáticos.
  5. Discalculia Ideognóstica – Dificuldades em fazer operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos.
  6. Discalculia Operacional - Dificuldades na execução de operações e cálculos numéricos.

Na área da neuropsicologia as áreas afetadas são:

  • Áreas terciárias do hemisfério esquerdo que dificulta a leitura e compreensão dos problemas verbais, compreensão de conceitos matemáticos;
  • Lobos frontais dificultando a realização de cálculos mentais rápidos, habilidade de solução de problemas e conceitualização abstrata.
  • Áreas secundárias occípito-parietais esquerdos dificultando a discriminação visual de símbolos matemáticos escritos.
  • Lobo temporal esquerdo dificultando memória de séries, realizações matemáticas básicas.

De acordo com Johnson e Myklebust a criança com discalculia é incapaz de:

  • Visualizar conjuntos de objetos dentro de um conjunto maior;
  • Conservar a quantidade: não compreendem que 1 quilo é igual a quatro pacotes de 250 gramas.
  • Seqüenciar números: o que vem antes do 11 e depois do 15 – antecessor e sucessor.
  • Classificar números.
  • Compreender os sinais +, - , ÷, ×.
  • Montar operações.
  • Entender os princípios de medida.
  • Lembrar as seqüências dos passos para realizar as operações matemáticas.
  • Estabelecer correspondência um a um: não relaciona o número de alunos de uma sala à quantidade de carteiras.
  • Contar através dos cardinais e ordinais.

Os processos cognitivos envolvidos na discalculia são:

1. Dificuldade na memória de trabalho;
2. Dificuldade de memória em tarefas não-verbais;
3. Dificuldade na soletração de não-palavras (tarefas de escrita);
4. Não há problemas fonológicos;
5. Dificuldade na memória de trabalho que implica contagem;
6. Dificuldade nas habilidades visuo-espaciais;
7. Dificuldade nas habilidades psicomotoras e perceptivo-táteis.

De acordo com o DSM-IV, o Transtorno da Matemática caracteriza-se da seguinte forma:
  • A capacidade matemática para a realização de operações aritméticas, cálculo e raciocínio matemático, encontra-se substancialmente inferior à média esperada para a idade cronológica, capacidade intelectual e nível de escolaridade do indivíduo.
  • As dificuldades da capacidade matemática apresentadas pelo indivíduo trazem prejuízos significativos em tarefas da vida diária que exigem tal habilidade.
  • Em caso de presença de algum déficit sensorial, as dificuldades matemáticas excedem aquelas geralmente a este associadas.
  • Diversas habilidades podem estar prejudicadas nesse Transtorno, como as habilidades lingüisticas (compreensão e nomeação de termos, operações ou conceitos matemáticos, e transposição de problemas escritos em símbolos matemáticos), perceptuais (reconhecimento de símbolos numéricos ou aritméticos, ou agrupamento de objetos em conjuntos), de atenção (copiar números ou cifras, observar sinais de operação), e matemáticas (dar seqüência a etapas matemáticas, contar objetos e aprender tabuadas de multiplicação).

Quais os comprometimentos?

  • Organização espacial;
  • Auto-estima;
  • Orientação temporal;
  • Memória;
  • Habilidades sociais;
  • Habilidades grafomotoras;
  • Linguagem/leitura;
  • Impulsividade;
  • Inconsistência (memorização).

Ajuda do professor:

O aluno deve ter um atendimento individualizado por parte do professor que deve evitar:

  • Ressaltar as dificuldades do aluno, diferenciando-o dos demais;
  • Mostrar impaciência com a dificuldade expressada pela criança ou interrompê-la várias vezes ou mesmo tentar adivinhar o que ela quer dizer completando sua fala;
  • Corrigir o aluno freqüentemente diante da turma, para não o expor;
  • Ignorar a criança em sua dificuldade.

Dicas para o professor:
·         Não force o aluno a fazer as lições quando estiver nervoso por não ter conseguido;
·         Explique a ele suas dificuldades e diga que está ali para ajudá-lo sempre que precisar;
·         Proponha jogos na sala;
·         Não corrija as lições com canetas vermelhas ou lápis;
·         Procure usar situações concretas, nos problemas.


Ajuda do profissional:

Um psicopedagogo pode ajudar a elevar sua auto-estima valorizando suas atividades, descobrindo qual o seu processo de aprendizagem através de instrumentos que ajudarão em seu entendimento. Os jogos irão ajudar na seriação, classificação, habilidades psicomotoras, habilidades espaciais, contagem.
Recomenda-se pelo menos três sessões semanais.
O uso do computador é bastante útil, por se tratar de um objeto de interesse da criança.
O neurologista irá confirmar, através de exames apropriados, a dificuldade específica e encaminhar para tratamento. Um neuropsicologista também é importante para detectar as áreas do cérebro afetadas. O psicopedagogo, se procurado antes, pode solicitar os exames e avaliação neurológica ou neuropsicológica.

O que ocorre com crianças que não são tratadas precocemente?

  • Comprometimento do desenvolvimento escolar de forma global
  • O aluno fica inseguro e com medo de novas situações
  • Baixa auto-estima devido a críticas e punições de pais e colegas
  • Ao crescer o adolescente / adulto com discalculia apresenta dificuldade em utilizar a matemática no seu cotidiano.


Qual a diferença? Acalculia e Discalculia.
A discalculia já foi relatada acima.
A acalculia ocorre quando o indivíduo, após sofrer lesão cerebral, como um acidente vascular cerebral ou um traumatismo crânio-encefálico, perde as habilidades matemáticas já adquiridas. A perda ocorre em níveis variados para realização de cálculos matemáticos.

Cuidado!
As crianças, devido a uma série de fatores, tendem a não gostar da matemática, achar chata, difícil. Verifique se não é uma inadaptação ao ensino da escola, ou ao professor que pode estar causando este mal estar. Se sua criança é saudável e está se desenvolvendo normalmente em outras disciplinas não se desespere, mas é importante procurar um psicopedagogo para uma avaliação.
Muitas confundem inclusive maior-menor, mais-menos, igual-diferente, acarretando erros que poderão ser melhorados com a ajuda de um professor mais atento.

Bibliografia:

CARRAHER, Terezinha Nunes (Org.). Aprender Pensando. Petrópolis, Vozes, 2002.
GARCÍA, J. N. Manual de Dificuldades de Aprendizagem. Porto Alegre, ArtMed, 1998.
JOSÉ, Elisabete da Assunção, Coelho, Maria Teresa. Problemas de aprendizagem. São Paulo, Ática, 2002.
RISÉRIO, Taya Soledad. Definição dos transtornos de aprendizagem. Programa de (re) habilitação cognitiva e novas tecnologias da inteligência. 2003.